Prazo? Pra ontem!
- Samantha Alves
- há 11 minutos
- 3 min de leitura

Quando o processo criativo pede execução rápida — e só depois você descobre onde aquilo vai chegar, aí é só orgulho e admiração.
O desafio: um livro em uma semana
Há uns meses, uma parceira me ligou e perguntou, simples assim:
"Sasa, consegue entregar um livro em uma semana?"
Pensei rápido. Adoro esse tipo de desafio e logo topei. Em uma semana eu me viro, pensei.
Só que, dessa semana, ainda faltavam alguns detalhes essenciais de finalização — correção, fechamento de informações. Restavam, na prática, uns 4 dias. E são justamente esses detalhes que garantem a propriedade e a qualidade final de um trabalho executado por uma excelente equipe de profissionais.
Como começou o projeto editorial
Agilizei rápido. Perguntei: identidade visual? Marca? Fotos? Estava tudo pronto? Eu precisava estruturar o projeto editorial naquele mesmo dia, porque a apresentação para os clientes seria no dia seguinte.
Minha sócia estava comigo, batemos o papo sobre o material e seguimos juntas. A gente sempre topa — e é exatamente isso que me deixa empolgada nesses momentos.
No dia seguinte, apresentamos o material em uma reunião rápida e objetiva. Com tudo aprovado e os arquivos em mãos, começamos a trabalhar no arquivo-base. Café do lado, mãos ágeis no teclado.
Diagramação e design: muito além de "texto em coluna"
O quebra-cabeça era gigante. Sempre comparo um projeto editorial como esse à construção de uma casa: alicerce, construção e depois o acabamento (existem muitas outras etapas, mas aqui resumo o essencial).
Para mim, o processo criativo nunca é só diagramar texto e aplicar cor. É preciso ter o dedo do cliente ali dentro — captar a nuance de quem está por trás daquela marca.
Neste projeto, o briefing pedia:
Leveza na comunicação visual
Muitas informações relevantes, sem poluir
Cores vibrantes
Um "quê de borogodó" que tornasse a leitura convidativa
O tema era complexo, mas o livro não podia assustar quem abrisse. Cada página era avaliada com atenção: espaços em branco estratégicos, imagens que dialogavam com o texto, uma fluência visual que fazia você querer virar a próxima folha. São detalhes que ninguém nota conscientemente, mas que fazem toda a diferença na experiência de leitura.
Bastidores: dias, noites e muito café frio
Dias, noites, madrugadas. Café que esfria porque a gente se empolga e esquece dele. Olho cansado de tanto revisar, que às vezes acaba deixando passar algo.
Mas demos conta. Alinhamos, voltamos, corrigimos, revisamos de novo — "faltou esse detalhe aqui", "eita, esquecemos disso" — até fechar o arquivo final.
E o processo não termina na entrega do arquivo. Depois vem a gráfica: aquele momento de soltar o filho para o mundo e torcer para ele chegar inteiro. Mais um alinhamento com a equipe de impressão e... pronto.
O impacto: de projeto editorial a documento nacional
E então veio aquele momento em que você não faz ideia de onde as coisas vão parar.
O livro foi apresentado na COP30. De lá, chegou às mãos do então Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Deixou de ser "apenas um livro" — virou documento nacional.
Depois desse resultado, veio um novo desafio: a tradução completa do material para o inglês. Tudo de novo — a equipe se mobilizou, traduzimos, revisamos, diagramamos a nova versão respeitando toda a identidade construída originalmente em português.
Teve ainda:
Versão revista em inglês
Folder complementar em mandarim
E, em breve, uma versão seguindo para a China
O que fica desse case
É estranho perceber que, às nove da noite, você acha que está apenas fazendo um livro — e na verdade está fazendo história. Sem saber. Sem ter ideia. Sem ter a real dimensão de tudo isso.
É esse o poder de um bom projeto editorial: quando design, estratégia e propósito se encontram, o resultado pode ir muito além do que qualquer prazo apertado seria capaz de prever.
Gostou desse case? Confira outros bastidores de projetos editoriais no blog e acompanhe os próximos passos dessa jornada nas redes sociais.
