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Podcast com IA na prática: eficiência, custo-benefício e presença digital

  • Foto do escritor: Laura Santos
    Laura Santos
  • 19 de jan.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 21 de jan.

Laura Santos, Coordenadora de Atendimento e Produção da Sagarana Digital


Ilustração em estilo xilogravura com fundo ocre, apresentando um fone de ouvido central rodeado por ondas sonoras e circuitos eletrônicos. A imagem representa o conceito de podcast com IA, unindo o design rústico tradicional à tecnologia digital.

Sempre começo meus dias ouvindo um podcast de notícias. É quase um ritual: coloco o fone, preparo meu café da manhã e tento entender o mundo antes de abrir a primeira aba do navegador. À noite, muitas vezes, o podcast volta a aparecer enquanto caminho ou organizo a casa.


O áudio tem algo que poucos formatos conseguem oferecer. Ele acompanha: enquanto dirigimos, caminhamos, lavamos a louça ou simplesmente existimos no meio do caos cotidiano. Em um mundo multitarefa, ele segue ali, criando uma sensação de proximidade quase íntima. Não é só conteúdo, mas também presença e conexão nos momentos mais distintos do dia a dia. 


Talvez por isso o podcast tenha deixado de ser tendência há algum tempo e se tornado hábito. No Brasil, especialmente: somos um dos maiores mercados do mundo em consumo e produção de podcasts! O relatório Digital 2026 Report, da We Are Social e Meltwater, mostra que 60% dos usuários de internet no Brasil (com 16 anos ou mais) escutam podcasts semanalmente.


Já o PodPesquisa 2024/2025, realizado pela Associação Brasileira de Podcasters, indica que o Brasil possui quase 32 milhões de ouvintes, com cerca de 40% consumindo diariamente e 23% mais de uma vez ao dia. Definitivamente não é pouca coisa.


Mesmo assim, produzir um podcast ainda parece algo distante para muita gente. E foi exatamente essa contradição que nos chamou atenção.



Quando a ideia é boa, mas a logística do podcast não acompanha


Ao longo do tempo, ouvimos a mesma frase se repetir de diferentes formas:

“Eu tenho vontade de fazer um podcast, mas não tenho tempo.”

Ou orçamento.

Ou equipe.

Ou método.


Produzir um podcast exige constância, organização, agenda, clareza editorial e uma logística que vai muito além do momento da gravação. Sem estrutura, boas ideias se perdem antes mesmo de chegar às plataformas. E nem todo projeto, especialmente marcas, profissionais autônomos e pequenos times, consegue sustentar esse modelo tradicional de produção.


Foi nesse ponto que a pergunta apareceu de forma quase inevitável: e se a tecnologia pudesse assumir a parte pesada do processo, sem comprometer a estratégia e a narrativa?



Podcast com IA: o encontro entre áudio, estratégia e Inteligência Artificial


A Inteligência Artificial já vem sendo usada pela nossa equipe como ferramenta de apoio criativo, organização e análise - inclusive, já fizemos um treinamento em inteligência artificial para nossos clientes, mas isso é assunto para outro artigo. O passo seguinte foi natural: desenhar um fluxo em que a IA otimiza o caminho entre a ideia e a publicação.


Assim nasceu o nosso modelo de produção de podcast automatizada por IA. A proposta nunca foi criar algo genérico ou impessoal. Pelo contrário, o  desafio era manter clareza narrativa, coerência editorial e propósito comunicacional, eliminando gargalos operacionais que consomem tempo, energia e orçamento.


Automatizamos o que faz sentido automatizar:


  • organização de roteiros

  • estrutura dos episódios

  • fluxos de produção


E mantivemos o que precisa ser estratégico:


  • a intenção do projeto

  • o posicionamento da marca

  • o direcionamento de divulgação

  • a coerência com os canais onde essa voz já circula

Ou seja, a logística de planejamento, publicação e distribuição, personalizada de acordo com cada projeto.



Podcast com IA na prática: por que nem tudo é automático


O primeiro episódio que produzimos foi para o QCProsa, um podcast da QCP - Inteligência em Políticas Públicas e Pesquisas que busca apresentar, de forma acessível, científica e integrada, os principais conteúdos de documentos estratégicos elaborados pela marca.


Um grande desafio era traduzir pesquisas complexas em narrativas envolventes, com foco na educação climática, planejamento territorial, bioeconomia, governança e inovação. Nossa proposta contemplou a produção de duas séries iniciais, com 5 episódios cada, focadas no white paper “Por um novo pararadigma amazônico: combinando desenvolvimento e floresta em pé” e no Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica, elaborados pela QCP.


É importante observar que produzir um podcast com IA não é apertar um botão e receber um episódio pronto do outro lado. No nosso processo, usamos o NotebookLM como base para a geração dos episódios, e isso exigiu critério, algo que a tecnologia (ainda) não substitui. Testamos diferentes prompts, ajustamos abordagens, refinamos o tom e a estrutura. Os primeiros resultados funcionaram mais como rascunho do que como versão final.


Também fizemos ajustes na versão final escolhida. Cortamos trechos que soavam repetitivos, acrescentamos outros para dar mais clareza ou ritmo à narrativa e reorganizamos ideias. A IA acelerou o processo, mas foi o olhar humano que garantiu coerência, fluidez e intenção.


Além disso, fizemos uma escolha consciente: o áudio de abertura não foi gerado por IA. Queríamos que esse primeiro contato tivesse uma assinatura mais orgânica e humanizada, algo que apresentasse o projeto com identidade própria antes mesmo do conteúdo começar. 


Esse ponto ajuda a desmontar um mito comum: automatizar não é eliminar trabalho, é mudar onde a energia é investida. Em vez de gastar tempo com tarefas operacionais, ele passa a ser usado para ajustar mensagem, estratégia e a experiência de quem escuta.



Por que trabalhar em combos de episódios?


É importante entender que podcast não funciona bem como ação isolada, ele é construção de presença. Por isso, estruturamos o serviço em combos de 7 a 10 episódios.

Esse formato traz benefícios claros:


  • previsibilidade de entrega

  • diluição de custos por episódio

  • consistência editorial

  • maior impacto no algoritmo das plataformas

  • visão estratégica de médio prazo


Na prática, o podcast deixa de ser “mais uma ideia” e passa a ser um ativo recorrente de comunicação.



Eficiência sem perder profundidade


Existe um receio comum quando se fala em automação e IA que é a perda de qualidade ou de identidade. A nossa experiência mostrou o oposto. 


Ao retirar tarefas manuais, retrabalho e ruídos de processo, sobra mais espaço para pensar melhor o conteúdo, a mensagem e o papel daquele podcast dentro do ecossistema digital da marca.


E quando o projeto pede mais profundidade criativa, mais experimentação ou um envolvimento humano integral, isso continua existindo. A produção autoral e personalizada segue como opção. A diferença é que agora há modelos distintos para necessidades diferentes.



Um formato alinhado ao comportamento do público


Os dados reforçam o que a prática já mostrava. O público de podcast no Brasil é altamente qualificado: quase 47% dos ouvintes possuem pós-graduação, e a maioria está na faixa entre 25 e 44 anos. Pessoas que consomem conteúdo com frequência, constroem vínculos com marcas e valorizam consistência.


Ou seja, estar nas plataformas de áudio não é apenas “marcar presença”. É ocupar um espaço estratégico de atenção, em um formato que gera proximidade real. Algo profundamente relevante para marcar que querem construir relacionamento e autoridade. 



Podcast com IA como solução para viabilizar vozes e projetos


Nem todo podcast precisa de uma superprodução. Mas todo projeto precisa de clareza, estrutura e estratégia.


A produção de podcast com Inteligência Artificial, do jeito que desenhamos, não é sobre tecnologia pela tecnologia. É sobre viabilizar ideias, reduzir barreiras de entrada e permitir que mais vozes circulem no ambiente digital.


Quando o processo deixa de ser um obstáculo, o conteúdo finalmente pode cumprir seu papel: comunicar, conectar e permanecer.


Se essa lógica faz sentido para o seu projeto, talvez o próximo episódio já esteja mais perto de você do que parece. Vamos conversar?



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