Do briefing à aplicação: aprendizados no rebranding do Partec JF
- Marcella Rateiro
- 18 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Marcella Rateiro, Designer da Sagarana Digital

Em 2025, o time de Design da Sagarana Digital recebeu um briefing que, logo de cara, sabíamos que não seria simples: o rebranding do Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região (Partec JF).
Antes de entrar no projeto, acho importante explicar rapidamente o que é um parque tecnológico, porque esse não é um termo tão comum fora do nosso meio. De forma resumida, um parque tecnológico é um ambiente que reúne empresas, universidades e instituições governamentais com o objetivo de fomentar inovação e desenvolvimento tecnológico. É um espaço que conecta diferentes agentes e busca fazer essa engrenagem funcionar de forma integrada.
A Sagarana já havia trabalhado com outros parques, como o Parktec CG, em Campo Grande, e o PIT, em São José dos Campos. Ainda assim, essa foi a primeira vez que participamos de um processo completo de branding para um parque tecnológico. Isso trouxe um tipo de desafio diferente do que estamos acostumados em projetos mais tradicionais.
O Parque Tecnológico de Juiz de Fora, o Partec JF, chegou até nós em um momento de amadurecimento. Mais do que uma mudança visual, o projeto pedia alinhamento, clareza e uma forma mais consistente de se comunicar com seus públicos e com a cidade.
Neste artigo, compartilho como foi nossa experiência nesse processo de rebranding: as etapas que percorremos, os questionamentos que surgiram no caminho e como encaramos esse desafio dentro da Sagarana.
Antes de qualquer coisa, precisamos montar o briefing. E sim: o briefing nasce do cliente, nada de copiar e colar modelos prontos. Esse é o momento de entender o contexto, as necessidades reais e o que está por trás da demanda.
Com o briefing em mãos, vem a etapa de estudo. Foram muitos materiais para ler, analisar e cruzar informações. Ao longo desse processo, fazemos nossas próprias anotações e depois colocamos tudo em discussão no time para garantir que os entendimentos estejam alinhados e façam sentido. Só depois disso começamos, de fato, a criar.
Alguns pontos já estavam evidentes desde o início. O cliente comentou que gostaria de uma marca que marcasse presença. Também mencionou afinidade com a cor laranja, que acabou sendo mantida no projeto.
A partir da leitura do briefing, entendemos que a marca precisava transmitir dinamismo, força e movimento. Movimento no sentido de demonstrar as conexões constantes entre universidade, empresas e sociedade. Era essa ideia de troca, fluxo e construção coletiva que precisávamos traduzir visualmente.

Para traduzir a ideia de “força”, optamos por uma tipografia pesada, de espessura grossa, que sustenta visualmente a marca e garante presença. Desde o início, entendemos que o Partec JF precisava de uma identidade visual que se posicionasse com clareza, sem parecer rígida ou distante.
A marca parte de três pilares centrais — sociedade, universidade e empreendedorismo — conectados por uma linha contínua. Essa linha funciona como um elemento estruturante do sistema visual e simboliza movimento, conexão e futuro, conceitos diretamente ligados à dinâmica de um parque tecnológico e às relações que ele promove.
A tipografia foi trabalhada com traços contínuos e interligados justamente para reforçar essa ideia de conexão. Ela dialoga com o universo tecnológico, com as redes digitais e com a troca de conhecimento que acontece nesse tipo de ecossistema. As curvas criam uma sensação de movimento e fluidez, enquanto a espessura dos traços garante solidez e força, equilibrando acessibilidade e presença.
Essa construção ajuda a comunicar valores importantes para o projeto, como colaboração, acolhimento e avanço. Mais do que uma promessa abstrata, a marca busca criar pertencimento, orientar ações estratégicas e consolidar visualmente os propósitos do Partec JF de forma clara e objetiva.
O próprio nome e a forma como ele é construído reforçam a integração entre o Parque Tecnológico e a cidade. A sigla “JF” aparece de forma destacada para evidenciar a identidade local e a vocação inovadora de Juiz de Fora dentro do ecossistema regional.
O logotipo também dialoga com a localização estratégica da cidade, situada entre importantes centros econômicos do país. Essa ideia aparece simbolicamente na continuidade visual entre os elementos da marca, reforçando conceitos como conectividade, expansão e articulação. Visualmente, o Partec JF passa a ser entendido como um ponto de ligação entre tecnologia, pessoas e oportunidades.
Na definição das cores, trabalhamos com duas cores centrais. O laranja vibrante simboliza dinamismo, criatividade e movimento, representando a energia de desenvolvimento que o Parque busca estimular. O cinza entra como base de equilíbrio, transmitindo confiança, estabilidade e credibilidade — valores essenciais para sustentar um crescimento estruturado e colaborativo. Já o laranja complementar ajuda a dar fluidez e leveza ao sistema visual, trazendo respiro e flexibilidade para as aplicações da marca.

Para pensar nas aplicações, precisamos antes entender o contexto em que o cliente está e, principalmente, onde ele quer chegar. Branding não acontece isolado: ele conversa com o espaço, com as pessoas e com a forma como a instituição se apresenta no dia a dia. A arquitetura também influencia o branding.
No desenvolvimento do enxoval de peças, sempre organizamos as entregas entre materiais digitais e físicos, porque cada meio pede uma abordagem diferente. No caso do Partec JF, no digital, a marca precisava funcionar bem em redes sociais, convites, apresentações institucionais e outros materiais de comunicação recorrentes.

Já no físico, trabalhamos aplicações como folder, banner e adesivação veicular, garantindo que a identidade mantivesse presença e legibilidade em diferentes escalas e contextos. Essa etapa foi essencial para testar a consistência da marca e entender como ela se comporta fora da tela, no contato direto com a cidade e com o público.

Mais do que um projeto de rebranding, o Partec JF foi um exercício de escuta, análise e construção coletiva. Ao longo do processo, ficou claro que branding não é sobre impor uma estética, mas sobre entender contextos, alinhar expectativas e traduzir propósitos de forma visual e funcional.
Para nós, enquanto time, o projeto reforçou a importância de começar pelo básico bem feito: decisões embasadas e um olhar atento para onde a marca precisa funcionar — da tela ao espaço físico, do institucional ao cotidiano.
O resultado final é uma marca que busca acompanhar o movimento do próprio Parque Tecnológico: conectando pessoas, ideias e oportunidades, sem perder de vista sua identidade local e seu papel no ecossistema de inovação. E, acima de tudo, um projeto que deixou aprendizados que levamos para os próximos desafios.

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